Você acabou de sair da residência ou decidiu que não quer mais deixar 27,5% do seu plantão para o Imposto de Renda. A decisão de virar Pessoa Jurídica (PJ) está tomada. Mas, ao pesquisar sobre tributação, você encontra uma sopa de letrinhas: Anexo III, Anexo V, Fator R, Lucro Presumido.
A pergunta que fica é uma só: “No final do mês, quanto vai sair do meu bolso?”
Na medicina, precisão é tudo. Na contabilidade médica, também. Não existe uma resposta única (“você paga 6%”), porque o imposto depende diretamente do seu volume de faturamento e da sua estrutura de custos (folha de pagamento).
A Portobello Contabilidade, referência em contabilidade especializada para médicos em São Paulo, preparou este simulador em formato de artigo. Vamos abrir os números reais para 2026 e mostrar qual o regime tributário ideal para o seu momento de carreira.
A Matemática do Médico Empreendedor: Faturamento vs. Imposto
Para entender quanto você paga, primeiro precisamos esquecer o mito de que “PJ paga sempre a mesma coisa”. O sistema tributário brasileiro é progressivo ou condicional.
O ponto de partida é o seu Faturamento Bruto Mensal.
- Até R$ 30.000/mês: Zona de alta eficiência do Simples Nacional (com planejamento).
- Acima de R$ 30.000 a R$ 40.000/mês: Zona de transição (onde o Lucro Presumido começa a ficar interessante).
Cenário 1: Simples Nacional com Fator R (Faturamento até 30k)
Este é o regime “queridinho” dos médicos que têm consultório próprio ou faturamento médio. O Simples Nacional unifica os impostos (Federais, Municipais e Previdenciários) em uma guia única, o DAS.
Por padrão, a medicina entra no Anexo V, com alíquota inicial de 15,5%.
Para fugir disso e pagar apenas 6% (Anexo III), usamos o Fator R.
A regra é: Sua folha de pagamento (incluindo seu pró-labore) deve ser igual ou superior a 28% do faturamento.
No Anexo III, a alíquota não é fixa. Ela sobe conforme você fatura mais no ano.
- Faturamento até R$ 180k/ano (R$ 15k/mês): Alíquota de 6,00%.
- Faturamento até R$ 360k/ano (R$ 30k/mês): Alíquota efetiva média de ~7,3%.
Simulação Prática (R$ 20.000 de faturamento):
- Imposto DAS (Anexo III): Aprox. R$ 1.200,00 (6%).
- Custo INSS (sobre Pró-labore de 28%): R$ 616,00.
- Total de Tributos: R$ 1.816,00 (Carga real de 9,08%).
O Portal do Simples Nacional disponibiliza as tabelas vigentes dos Anexos III e V, onde você pode verificar que, sem o Fator R, o custo saltaria para mais de 15,5% imediatamente.
Cenário 2: Lucro Presumido (Faturamento acima de 30k ou plantonistas)
Se você é um médico plantonista que não tem funcionários e não quer retirar um pró-labore alto (necessário para o Fator R), ou se sua clínica já fatura muito alto, o Lucro Presumido é a melhor estratégia.
A carga fixa de 11,33% + ISS
Aqui, os impostos federais são fixos, não progressivos.
- PIS/COFINS: 3,65%
- IRPJ/CSLL: 7,68% (Presunção de 32%)
- Total Federal: 11,33%
A variável aqui é o ISS (Imposto Sobre Serviço), que é municipal.
- Em São Paulo (Capital): 2% ou 5% (depende do enquadramento).
- Em Barueri/Santana de Parnaíba: Geralmente menor.
Considerando um ISS médio de 2% a 3%, a carga tributária final do médico no Lucro Presumido gira em torno de 13,33% a 14,5% sobre o faturamento, independente de quanto você ganhe.
O Custo Oculto: Contabilidade, Certificado Digital e Taxas
Ao calcular “quanto paga”, não olhe apenas para o imposto. Existem custos de manutenção da PJ que devem entrar na conta da abertura de CNPJ médico:
- Taxa de Fiscalização (TFE): Cobrada anualmente pela prefeitura (em SP, aprox. R$ 200-R$ 300).
- Certificado Digital (e-CNPJ): Renovado anualmente (aprox. R$ 200).
- Contabilidade Mensal: Honorário do contador parceiro.
- Anuidade do CRM-PJ: Sim, a empresa também paga conselho.
Mesmo somando tudo isso, a economia em relação ao CPF é brutal.
Comparativo Final: Tabela Resumo (CPF vs Simples vs Presumido)
Para um faturamento de R$ 25.000,00, veja o impacto no seu bolso (estimativa):
| Regime Tributário | Alíquota Média Estimada | Imposto Mensal (Aprox.) | Veredito |
| CPF (Autônomo) | ~27,5% (+20% INSS) | R$ 6.800,00+ | Inviável |
| Simples (Anexo V) | 15,5% | R$ 3.875,00 | Ruim |
| Lucro Presumido | ~14,33% | R$ 3.582,00 | Bom |
| Simples (Anexo III) | ~9,5% (Com INSS incluso) | R$ 2.375,00 | Excelente |
Para visualizar mais detalhes sobre essa diferença brutal, acesse nosso comparativo entre médico autônomo e PJ, onde detalhamos os riscos de ficar no CPF.
Conclusão: Qual o seu número mágico?
O “número mágico” para a maioria dos médicos em início e meio de carreira é o Simples Nacional com Fator R. Pagar uma carga total próxima de 9% a 10% (já somando imposto e sua aposentadoria) é a forma mais barata de atuar legalmente no Brasil hoje.
Se você fatura acima de R$ 40.000,00 mensais, provavelmente migraremos você para o Lucro Presumido.
Não tome essa decisão sozinho baseando-se em “o que o colega de plantão disse”. A Portobello Contabilidade faz essa simulação personalizada para o seu CPF agora mesmo.
FAQ: Perguntas Frequentes
Quanto um médico paga de imposto no PJ?
R: Depende do regime. No melhor cenário (Simples Nacional com Fator R), inicia-se em 6% de imposto federal sobre a nota, mais o custo do INSS sobre o pró-labore. A carga total efetiva costuma ficar entre 8% e 10% para faturamentos iniciais.
Vale a pena ser médico PJ para plantão?
R: Sim. A maioria dos hospitais exige PJ para contratar. Além disso, no PJ a tributação é de aprox. 13% a 15% (Presumido) ou 6%-10% (Simples), enquanto no CPF o desconto na fonte é de 27,5%.
Qual o melhor regime para médico: Simples ou Presumido?
R: Regra de ouro: Se você tem despesas com folha de pagamento ou pode retirar um pró-labore de 28% do faturamento, o Simples Nacional é melhor até uns R$ 30k/mês. Se você não quer retirar pró-labore alto ou fatura muito acima disso, o Lucro Presumido é mais seguro e econômico.



